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Abordagem Atual da Neuropatia Diabética Dolorosa


RESUMO DA PALESTRA DURANTE A PRIMEIRA JORNADA DE SÍNDROME METABÓLICA E DOR, DA ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE MEDICINA (APM).

 

SÃO PAULO, 04 – VIII – 2018

 

A Neuropatia Diabética (ND) é a complicação mais subdiagnosticada e subtratada do Diabetes Melittus (DM), pois é uma doença polimórfica e a maioria dos casos permanece assintomática por muitos anos. Ao mesmo tempo, é uma das complicações crônicas mais impactante na qualidade de vida dos indivíduos diabéticos, pois em cerca de 50% dos casos manifesta-se com dor neuropática crônica (DNC) ou também conhecida como Neuropatia Diabética Dolorosa Crônica (NDDC).

 

Embora atualmente existam inúmeras drogas para a ND, a maioria delas têm efeitos adversos que limitam sua utilidade. O tratamento farmacológico da dor neuropática continua a ser um desafio para os médicos, sendo que a eficácia e a tolerabilidade individual permanecem um fator importante em qualquer decisão terapêutica. Devido ao grande fardo causado pela ND, há necessidade premente e não atendida tanto para o seu tratamento sintomático quanto das suas comorbidades, a saber, ansiedade, depressão e insônia.

 

Atualmente, estima-se que há 415 milhões de adultos com DM no mundo. Destes, 16% a 26% têm neuropatia diabética dolorosa crônica, isto é, apresentam dor neuropática por mais de 3 meses. Esta é tipicamente distal (predomina inicialmente nos dedos dos pés e posteriormente no dorso dos pés, tornozelos, pernas e mãos), simétrica e com piora noturna importante.

 

Em relação à característica da dor ou fenótipo doloroso (sinais e sintomas), o paciente geralmente descreve a sensação como “formigamento” (parestesia) que interrompe o sono ou como “queimor contínuo” (queimação), ou mesmo uma “dor profunda e lancinante, em choque, pontadas ou facadas” (dor paroxística). Há também um fenótipo doloroso característico da ND ao qual chamamos de disestesia e que os pacientes descrevem como uma sensação incômoda de “frio doloroso” ou “agulhadas” ou “pinicadas”. Valorizem essas queixas!!

 

Atualmente, a maioria dos consensos, diretrizes e orientações para o tratamento sintomático da NDDC recomenda uma abordagem escalonada (drogas de primeira, segunda e terceira linhas) e ainda bastante empírica. Como a NDDC apresenta alto índice de comorbidades associadas, vários autores recomendam que a droga de escolha seja pautada pelas comorbidades, por exemplo, pacientes com depressão deveriam receber inicialmente um antidepressivo (AD) enquanto que os com ansiedade, receberiam preferencialmente um anticonvulsivante (AC).

 

Em conclusão, a Neuropatia Diabética Dolorosa Crônica é uma doença prevalente, polimórfica, multifatorial, complexa e altamente impactante. Em relação ao seu tratamento sintomático, os resultados têm sido bastante modestos até o momento, mesmo com tudo o que se dispõe para o arsenal terapêutico. Portanto, uma abordagem holística e personalizada (“cada doente é único”), isto é, multifatorial e baseada tanto no fenótipo da dor quanto nas comorbidades para a escolha da droga de primeira linha é desejável, racional e parece-nos bastante promissora, pois as evidências científicas estão apenas começando.

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